Eva

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Preciso contar-vos algo que me sucedeu ultimamente... 
Uma saudade, uma dor no peito que trás consigo uma alienação juntamente a uma sensação de loucura. 
Dizem as más línguas que trata-se de paixão. 
Todavia suspeito que não. 
O que deveras penso habitar em minhas indagações acerca de tal sentimento seria então alucinação?  


Perdido. De antemão posso afirmar-lhes que severamente renego-me a assumir que tenho tal disposição. 


Nascido em berço esplêndido, rodeado de armaduras, às quais devo honrar até meu último suspiro, é meu dever lutar contra forças levianas.  


A luta começa e neste momento os pontos não podem ser entregues. Não me cai bem demonstrar meu lado mais , digamos assim por dizer, sensível. 


E eis que ela surge. Já consigo avistá-la. Seus ombros dançam para mim e a vejo num requebrar de pernas que quizera eu ninguém o conseguisse. Mas seu caminhar está a me hipnotizar. Eva. O nome revela desde já o motivo pelo qual não devo me aproximar. 


Uma senhorita pode me causar algum mal. Um não, todos , todos os males. E todo o bem, imagino eu. 


Logo eu, sabedor de todas as artimanhas femininas não posso me dispor a tão grande humilhação. O modo como caminha, como fala, como gesticula, como ignora, como convida, como sorri, como seus lábios deslizam por seus dentes, como debocha, esses modos todos estão por me fazer estremecer cada vez que a encontro. Ela é quase imoral. 


Sua ausência me trás agonia e temo que tire meu sossego pelos tempos seguintes. Eva tem o poder de me guiar para abismos, sem saber quais, deveras a sigo com todos os meus olhares. 


Talvez não seja preciso dizer-lhes qual a cor de sua pele. Ou sim?  A cor do desejo. Não me contive. 


Conseguintemente, estou a fugir, certamente noto que posso ausentar-me de tal posto sem consequências maiores sofrer. 


Eva ainda não me disse qual é a sua graça. Contento-me com esta que já vos apresentei. Não quero outra. Eva me basta como tal. 


Sem mais a afirmar, confirmar ou tampouco a desmentir. 


- Eva, a minha incontestável desonra, é perder-te em mim.




Patrícia Buarque

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